Após o golpe militar na Guiné-Bissau, um general tomou posse como novo líder do país. O nome do general é Horta Inta-A Na Man

Dinis Incanha
Porta-voz dos militares de Guiné-Bissau (golpe de 2025)

BRASIL ISTO É GOLPE!
O golpe de 26 de novembro de 2025 o mais recente
Nas eleições gerais realizadas em 23 de novembro de 2025 (presidencial e legislativas), a disputa foi marcada por forte contestação. A principal força de oposição o partido PAIGC foi impedida de concorrer, o que já gerou questionamentos sobre a legitimidade do pleito. No dia 26 de novembro, véspera da divulgação oficial dos resultados esperados, militares anunciaram que assumiam “controle total” do país, declararam que o presidente Umaro Sissoco Embaló havia sido destituído e que formavam um novo órgão de governo, o Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública. Relatos de tiroteios foram feitos perto do palácio presidencial, do Ministério do Interior e da sede da comissão eleitoral em Bissau áreas centrais de poder e administração do país. Civis teriam fugido dessas zonas O governo civil e a eleição foram suspensos: as instituições do Estado foram dissolvidas, o processo eleitoral interrompido, e as fronteiras fechadas. O clima é de incerteza: opositores e grupos da sociedade civil acusaram Embaló e os militares de arquitetarem um “golpe simulado” para evitar a divulgação dos resultados eleitorais e manter poder ou permitir que novos comícios fossem convocados sob condições favoráveis a ele. A comunidade internacional reagiu com preocupação: organizações regionais e internacionais criticam a tomada de poder militar, pedem restauração da ordem constitucional, liberação de presos políticos e retomada do processo eleitoral.
Consequências imediatas e o que está em jogo
O golpe interrompeu abruptamente os resultados eleitorais e gerou um vácuo institucional ou seja: instituições civis, parlamento e governo ficaram suspensos ou dissolvidos.
A população vive incerteza sobre quem dirige o país, como será restaurada a ordem, se novas eleições serão convocadas e sob que regras. A Guiné-Bissau se enreda mais uma vez em seu problema crônico de instabilidade, o que afeta governabilidade, confiança interna e externa, e complica o desenvolvimento político e econômico.
Por que podemos dizer que não houve golpe no Brasil
O que caracteriza um golpe de Estado
Segundo a definição clássica de golpe de Estado (ou “coup d’état”), trata-se de uma tomada súbita e ilegal do poder por um grupo quase sempre militar ou parte significativa das Forças Armadas que derruba o governo constituído, monopoliza os meios de força (exército, polícia, aparato repressivo) e instaura um novo governo sem o devido processo democrático. Para haver um golpe bem-sucedido, geralmente é necessário que parte expressiva das Forças Armadas ou ao menos forças que controlem os aparatos decisivos de coerção e comando adotem a ação.
Falta de suporte militar e institucional no Brasil atual
No contexto brasileiro recente, embora existam acusações de “tentativas” ou “ameaças” de golpe ou de “intervenção militar constitucional” não há evidência concreta de que as Forças Armadas tenham se unificado ou acionado para derrubar o governo. A instituição permanece subordinada à ordem constitucional. Isso é reforçado pelo entendimento jurídico de que uma intervenção militar no Brasil, mesmo se legalmente possível em contextos de grave crise, não autoriza a tomada do poder pelo alto comando das Forças Armadas como se fosse um novo governo militar. Em outras palavras: ausência de ordem formal de comando militar para depor o governo + ausência de movimentação militar coordenada com esse objetivo + ausência de substituição institucional do Executivo por alta patente militar.
Instituições democráticas funcionando e legalidade mantida
Desde a redemocratização, o Brasil vive sob o regime da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, que define claramente a função das Forças Armadas defesa nacional e garantia da lei e da ordem mas não como um “poder moderador” fora dos três poderes constitucionais. Além disso, o poder civil (Executivo, Legislativo, Judiciário) continua funcionando normalmente, e não houve dissolução do Congresso, fechamento de tribunais, cassação de mandatos ou suspensão generalizada de direitos civis atos típicos de um golpe consumado.
Conclusão ausência de elementos essenciais para configurar golpe
Dado que:
- Não houve mobilização militar coordenada para derrubar o governo;
- As Forças Armadas mantiveram sua subordinação à Constituição e aos poderes civis;
- As instituições democráticas seguem funcionando;
- Não ocorreu substituição forçada do Executivo por uma junta militar;
Pode-se afirmar com base nos critérios clássicos que não houve nem tentativa golpe. O que eventualmente existiu foram debates, tensões políticas e, em alguns discursos, retórica favorável a intervenção — mas isso não basta para configurar um golpe real e consumado.















